Gone too soon...



1973.
eu estava atrasado para a escola e minha mãe não chegava. peguei a bicicleta, se corresse estaria lá no horário.

quando saí pela garagem, ouço aquela voz inconfundível me chamando, e lá estava ela, correndo em minha direção, me pedindo um abraço e um beijo antes de sair.

ela tinha apenas 3 anos, e fazia isso todos os dias.

deste eu me lembro bem. lembro porque desta vez não voltei, e a sua imagem, no meio da rua, apenas de calcinha e braços abertos enquanto eu gritava que estava atrasado e pedia que ela entrasse na casa nunca me saiu da cabeça. nem durante a aula daquela tarde, nem em todas as outras até então.

fiquei devendo aquele abraço a vida inteira. por toda a vida dela.

por mais abraços que eu tenha lhe dado desde então, aquele eu não poderei lhe dar.

por mais cartas que tenhamos trocado, o que eu queria dizer a minha irmãzinha naquele dia nunca foi dito.

por mais risadas que demos juntos, aquele sorriso eu perdi pra sempre...

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